Discurso de Posse na Presidência

do IHGES

 

 

 

 

Inicialmente quero agradecer aos caros consócios a confiança em mim e em nós, da Diretoria, depositada.

 

Há onze anos atrás, neste mesmo dia, ingressava eu como sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo. Desde o meu retorno de um período de estudos em Portugal, em 2000, e sempre conduzido por Renato Pacheco, passei a integrar a Diretoria, no quadro de Vice-Presidentes e no quadro do Conselho Editorial.

 

Nestes últimos onze anos passaram-se aqui muitas coisas, algumas agradáveis, outras não. Perdemos dois presidentes em pleno exercício da presidência, assistimos a um esvaziamento das reuniões ordinárias, a uma míngua das nossas realizações culturais. Assistimos com um desprazer muito grande a uma bem intencionada ânsia de realizar várias atividades ao mesmo tempo, e a uma frustração imensa por não termos sido capazes de realizar tudo o que fora com tão boa intenção planejado.

 

Assistimos também a alguns desvios na percepção do que é e para que serve o Instituto Histórico e Geográfico. Alguém há de perguntar por que parâmetros julgo esses direcionamentos como desvios, e respondo – com a visão indiscutível dos nossos fundadores. O Instituto não é um clube de serviços, não faz política partidária, não é um departamento da administração estadual ou municipal, não é uma OSCIP. O Instituto é uma associação civil, sem fins lucrativos. Sempre foi, e particularmente no exercício da presidência não abro mão de que continue a ser, uma reunião de pessoas com interesses comuns. Até poderemos vir a ser qualquer outra coisa, desde que a Assembléia Geral, que é soberana, assim o decida. Mas provavelmente não será com o meu voto.

 

Neste momento, em que devemos parar e colocar a cabeça no lugar, ao menos pelo início de uma nova administração, permitam-me recordar-lhes as palavras do pernambucano Carlos Xavier Paes Barreto, nosso fundador, na noite de 12 de junho de 1916: [...] “para que tantas tradições e tantas riquezas não passem quase obscuramente, precisamos tornar conhecidos o corpo e a alma do Espírito Santo [...] eu proponho, portanto, em nome da comissão promotora da presente reunião, de mim composta e dos ilustres espírito-santenses drs. Antonio Athayde e Archimino Mattos, que seja fundado um grêmio destinado ao estudo do Estado, sob o ponto de vista moral e sob o ponto de vista material e que a tal agremiação se dê o nome de Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo.”

 

Daqui desta Casa saiu a Academia Espírito-santense de Letras, que tanto já usou  nossas dependências para suas reuniões; da Academia Espírito-santense de Letras, mas com associados do IHGES, saiu o Centro Espírito-santense de Folclore, capitaneada por Guilherme Santos Neves e embrião da ataul Comissão Espírito-santense de Folclore;  nesta Casa se reuniu o Clan dos Estudantes de Direito, que com o concurso sine qua non do nosso fundador, Carlos Xavier Paes Barreto, fundaram a Faculdade de Direito do Espírito Santo, o primeiro curso superior deste Estado. Toda a vida cultural do Espírito Santo no século XX tem a participação, de alguma maneira, do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo.

 

Não temos o direito de abrir mão desta herança. Devemos transmiti-la a quem vier depois de nós. Sucedo na presidência a Antonio Francisco athayde, todos os presidentes posteriores o sucedemos, e não sei quem virá depois de mim, qualquer associado poderá faze-lo. Presidir, senhores, é, além de uma honra, um encargo que deveria ser igualmente de todos os associados.

 

O mesmo ideal que me moveu ao me posicionar radicalmente contra a convocação de eleições meses depois do falecimento do Presidente Sebastião Sobreira, já que quando do falecimento do Presidente Miguel Depes Tallon esta providência não fora tomada, este mesmo ideal me moverá na presidência desta Casa. Será a última vez que falarei de mim mesmo nestas solenidades, a tônica desta administração que ora se inicia – e tradicionalmente a solenidade de hoje é o primeiro ato da nova diretoria, não o último da diretoria que sai - será a impessoalidade, nos termos da Constituição Federal

 

Mas para que não pensem que estaremos nos guiando como administração pública, volto a lembrar: não somos órgão público, não prestamos serviço essencial. Não nos vamos impor tarefas acima de nossas forças, o stress resultante da possível não realização é grande demais. Toda a minha atuação, enquanto estiver à frente da Casa, será no sentido de conservar e de ampliar o único patrimônio que temos de verdade: o prestígio de nossa instituição como guardiã das tradições do Espírito Santo.

 

Vamos sair para fora de nossos muros sim, como querem alguns associados, mas para trazer para cá, para junto de nós, as pessoas e instituições que estão produzindo, que atuam na nossa área de interesse. Vamos hipotecar a essas pessoas e a essas instituições o nosso prestígio, que sem dúvida angariamos nestes noventa e dois anos, vamos tentar coordenar esforços e atuações, vamos nos inteirar do que está sendo produzido - e infelizmente, nos últimos tempos, à nossa revelia. Vamos, senhores, nos fazer necessários.

 

Como todos os presidentes anteriores, também inicio conclamando os associados a se interessarem pela vida de sua associação. Se não com trabalho, com a presença, se não com a presença, com estímulo. Estaremos realizando, e para isto dependemos do patrimônio humano da Casa. Vamos instituir novos canais de comunicação, vamos tentar fazer atrativa e prazerosa a participação de todos.

 

Parabéns aos novos associados que hoje tomam posse. Parabéns à comendadora Lea Brígida, que hoje tem sua trajetória nesta Casa reconhecida de público. Parabéns à Diretoria que hoje se despede, pelas suas realizações. Parabéns à Diretoria ora empossada, meus companheiros Gabriel Bittencourt, José Tristão Fernandes, Paulo Stuck Moraes, José Paulo Calmon Nogueira da Gama. Desejando a todos nós uma feliz gestão, estaremos convocando os senhores proximamente para a nossa primeira reunião de trabalho.

 

Muito obrigado e uma boa noite a todos.

Está encerrada a reunião.

 

 

PRONUNCIAMENTOS

 

 

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