Editorial do Boletim n.º 43

(janeiro/julho 2008)

 

 

 

Iniciamos no dia 11 de junho nossa gestão à frente do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo. Sucedemos a uma administração que mais uma vez, lamentavelmente, não pôde concretizar seu programa de atuação, por conta do falecimento do presidente em pleno exercício da presidência. O infausto do acontecimento dispensa maiores considerações, mas a administração dos destinos do IHGES é uma continuidade. Por isto me refiro às realizações da administração anterior e ao que ela representa no conjunto de nossas realizações desde o ano de 1916.  

A sede atual, considerada adequada ao momento que vive o IHGES, foi reformada pela administração do Presidente Sebastião Sobreira. Foi renovado em 2006 o convênio com a Prefeitura Municipal de Vitória, o que possibilitou a continuação do programa editorial. Nossa Revista obteve registro junto à Biblioteca Nacional como periódico de caráter científico. Foi inaugurada a nossa página na internet. Foi ampliado o quadro de associados, e hoje somos quase quatrocentos, todos efetivos. E agora?

Não podemos nos olvidar de que este modelo de Institutos Históricos e Geográficos remonta ao século XIX. Que hoje em dia existem muito mais formas de participação social, de entretenimento e até mesmo de produção cultural do que havia em Vitória nas primeiras décadas do século XX. Em conseqüência, não podemos repetir hoje a freqüência de associados e convidados que então prestigiavam as iniciativas da Casa. Não podemos deter hoje o privilégio da quase exclusividade na produção de matéria literária relevante sobre o Espírito Santo e os espírito-santenses. Não podemos pleitear mais atenção do Poder Público do que merecem inúmeras outras organizações não governamentais de muitos outros ramos de atuação.

Temos que conviver com isto, e o desafio aos atuais administradores do IHGES é administrar nestes novos tempos. Na prática, procurando conhecer e adequar o quadro de associados às disposições estatutárias, fazê-los interagir e incentivar a sua participação na vida da instituição. Relacionando corretamente nosso patrimônio móvel e imóvel para inclusive tentar aumentá-lo. Enxugando a estrutura administrativa para adequá-la à nossa realidade atual. Reduzindo a freqüência das reuniões ordinárias para torná-las mais relevantes. Otimizando, em suma, para obter mais eficiência, e assim sermos capazes de resgatar o que somos e o que fizemos ao longo desses noventa e dois anos. Para que possamos continuar a fazer sempre mais.

Nosso maior patrimônio é  sem dúvida o prestígio do que realizamos ao longo do tempo. É hora de começarmos a divulgar condignamente o patrimônio das nossas realizações como forma de nos valorizarmos, ao mesmo tempo em que iremos realizando sempre mais. A fim não só de agregar valor para os que nos sucederão nesta Casa, mas de continuarmos a nos manter úteis e relevantes no processo de criação, conservação e divulgação da cultura e das coisas que dizem das tradições do Espírito Santo.

                                                                                             Getúlio Marcos Pereira Neves

 

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