Iniciamos no dia
11 de junho nossa gestão à frente do Instituto Histórico e
Geográfico do Espírito Santo. Sucedemos a uma administração que
mais uma vez, lamentavelmente, não pôde concretizar seu programa
de atuação, por conta do falecimento do presidente em pleno
exercício da presidência. O infausto do acontecimento dispensa
maiores considerações, mas a administração dos destinos do IHGES
é uma continuidade. Por isto me refiro às realizações da
administração anterior e ao que ela representa no conjunto de
nossas realizações desde o ano de 1916.
A sede atual,
considerada adequada ao momento que vive o IHGES, foi reformada
pela administração do Presidente Sebastião Sobreira. Foi
renovado em 2006 o convênio com a Prefeitura Municipal de
Vitória, o que possibilitou a continuação do programa editorial.
Nossa Revista obteve registro junto à Biblioteca Nacional como
periódico de caráter científico. Foi inaugurada a nossa página
na internet. Foi ampliado o quadro de associados, e hoje somos
quase quatrocentos, todos efetivos. E agora?
Não podemos nos
olvidar de que este modelo de Institutos Históricos e
Geográficos remonta ao século XIX. Que hoje em dia existem muito
mais formas de participação social, de entretenimento e até
mesmo de produção cultural do que havia em Vitória nas primeiras
décadas do século XX. Em conseqüência, não podemos repetir hoje
a freqüência de associados e convidados que então prestigiavam
as iniciativas da Casa. Não podemos deter hoje o privilégio da
quase exclusividade na produção de matéria literária relevante
sobre o Espírito Santo e os espírito-santenses. Não podemos
pleitear mais atenção do Poder Público do que merecem inúmeras
outras organizações não governamentais de muitos outros ramos de
atuação.
Temos que
conviver com isto, e o desafio aos atuais administradores do
IHGES é administrar nestes novos tempos. Na prática, procurando
conhecer e adequar o quadro de associados às disposições
estatutárias, fazê-los interagir e incentivar a sua participação
na vida da instituição. Relacionando corretamente nosso
patrimônio móvel e imóvel para inclusive tentar aumentá-lo.
Enxugando a estrutura administrativa para adequá-la à nossa
realidade atual. Reduzindo a freqüência das reuniões ordinárias
para torná-las mais relevantes. Otimizando, em suma, para obter
mais eficiência, e assim sermos capazes de resgatar o que somos
e o que fizemos ao longo desses noventa e dois anos. Para que
possamos continuar a fazer sempre mais.
Nosso maior
patrimônio é sem dúvida o prestígio do que realizamos ao longo
do tempo. É hora de começarmos a divulgar condignamente o
patrimônio das nossas realizações como forma de nos
valorizarmos, ao mesmo tempo em que iremos realizando sempre
mais. A fim não só de agregar valor para os que nos sucederão
nesta Casa, mas de continuarmos a nos manter úteis e relevantes
no processo de criação, conservação e divulgação da cultura e
das coisas que dizem das tradições do Espírito Santo.
Getúlio Marcos Pereira Neves